12/02/2013
Eu sinto...
Eu sinto...
Eu sinto folhas secas e caídas a meus pés,
fazem barulho,
desfazem-se em mil e um pedaços aos meus passos...
Eu sinto o tempo desvanecer-se em mim... e quebrado como um espelho, corta as minhas raízes que choram lágrimas de sangue soberbas de dor, soberbas de líquido, soberbas de vagar.
Eu sinto o frio dentro de mim, qual alçapão escuro, fundo e húmido, local musgoso e sem sol...
Eu sinto pulsar um grito seco e sem som que vem ao de cima como vento oco e sem significado algum.
Eu sinto a cor e os cadeados cobertos de teias de aranha... promessas perdidas e fechadas que nunca chegarão a realizar-se nem aqui, nem antes, nem depois...
Eu sinto que fiquei ali perdida e pisada no chão, sem poder gritar, sem poder chorar, sem poder querer...
Eu sinto que fui folha quebrada no chão e que simplesmente vive debaixo dos pés...
Sinto que sou recipiente nem meio cheio, nem meio vazio de seiva, recipiente nem meio cheio de vazio, nem meio vazio de nada.
(Bríggida Almar "Crónicas do desamor" 2013)
O chocalho do anjo
Conheci um anjo, que segurava um chocalho,
ensurdeci do óbvio, avançei sem medo e meti-me no "caralho".
Porque o balançavas assim?
Era para eu ouvir?
Porque me hipnotizaste assim?
Era para eu seguir?
Conheci um anjo, que segurava um chocalho,
passou-me uma rasteira e meteu-se no "caralho".
Ai os cânticos de luz, mentiras encapadas, nem contigo sincero és, és confusão embusteada.
Conheci um anjo, sem coração, sem nada... que segurava um chocalho,
tesão de viver não é fazer sofrer, deixar caído no soalho...
Lava as tuas mãos querido anjo, a verdadeira luz é no final.
Posso não ser anjo, posso não ter o céu...
mas nunca enganei ninguém para ter o que não é meu.
Pobre anjo que conheci na ilusão de que voava...
No presente um chocalho na mão...
No futuro um coração sem nada...
(Bríggida Almar "Crónicas do desamor" 2013)
12/01/2013
Auto de moi...
Fraquezas de mim "carnadas" em ti,de moi...
És apenas um eu já distante e pequeno,
imaturo e pulsante...
ao qual reservo amor por quem já fui.
Toldas a alma ao te sentires altivo e confiante,
num escárnio de queda serás nada... pó.
Prisioneiro de vontades não vividas,
prisioneiro de paradigmas e dicotomias,
prisioneiro de emoções, sentimentos e falhas...
prisioneiro de preconceito alheio e teu...
Escondes-te por detrás de véus rasgados que com o tempo irão voar...
Tenho compaixão de mim...
Como poderia não te amar se te entendo...
És um pequeno Auto de moi...
Que já vivi e sei como acabará.
(Bríggida Almar 2013)
11/27/2013
Em mim?
(imagem de Luis Royo)
(Bríggida Almar 2013)
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