2/22/2014

O contrabaixo trovão

Deslizas pelas minhas cordas, vibras e vibras intensamente... Sonoramente, ressonantemente trovão. Âmago, doce e profundo âmago... Envolves uma plenitude de oco e vazio sonoro, estremeces o ser de uma árvore e acalmas com suave ressoar. Ai... que me és desde cima até baixo. (Bríggida Almar 2014)

2/19/2014

Totem

Tens o karma do silêncio, encarcerado na minha inspiração divina de ti... meu amor. As lágrimas sangram na música e no vento que as dilacera. Meu glorioso e divino totem... Alojado nas minhas entranhas, órgão pulsante e cárnio de sangue. Que vibras... ai se vibras desenfreadamente por mim. Colosso e inebriante, vestis minh´alma de veludo escarlate e esvoaçante. Me és... me és de todo mestre. És de todo mestre da minha inspiração. (Bríggida Almar 2014)

Crying...

1/29/2014

Gargouille

Engulo palavras e actos,
presos na minha garganta,
quimeras loucas e desenfreadas para atacar...
A lei do retorno não tarda,
não falha,
é certeira e perfeita.
Não tens como escapar.

O guadião.
O meu guardião...

Gargouille, entorna as tuas lágrimas sobre mim e acalma-me, beija-me, entrelaça-me em ti e...

Gargouille, de respiração forte e arrastada, pelo tempo e mau tempo encurvada, guia-me através das tuas portas,
tua alma bem fechada.

Borbulham as águas,
foram cuspidas por um animal de mim,
Engulo momentos,
engulo injustiças,
mas as minhas quimeras tratarão de ti.

Gargouille, húmido e impiedoso Gargouille... deixa-me aninhar em ti.

(Bríggida Almar 2014) - "Crónicas do Desorror"




1/08/2014

A Noiva da Natureza

A Noiva da Natureza é a criação.

Não existem diferenças,
apenas momentos de vida sensível.

A Natureza faz as mudanças pelo tempo...

Não existem diferenças.

Os gritos das montanhas ensurdecem,
as lágrimas inundam os mundos,
o ardor circula a terra,
o sopro da razão enlouquece,
o amor desaparece.

Sem estranhas emoções,
nada escapa,
tudo vai...

A Noiva da Natureza é a criação...
E o mundo é o Pai.


Sem diferenças,
apenas momentos de vida sensível.

12/22/2013

A Moira Doente


Era uma vez uma Moira,
que chorava, chorava, chorava sem parar…
Moira encantada de luz,
mas sem igual para a partilhar.

Diziam que era a Moira doente,
encantada de dor,
mas era apenas crente,
Em encontrar o verdadeiro ardor.

Moira alegre, moira sedenta,
Moira que era apenas gente,
de dia ofuscava plena,
de noite voltava a moira chorona e doente…

E sonhava, sonhava, sonhava sem parar…
Acreditava a Moira o seu ardor encontrar,
a Moira amava sem ver,
mas sofria por não queimar.

E cantava, cantava de dia sem parar…
na eterna estrela,
de real,
o seu sonho se tornar.

Ai a Moira doente,
que amava sem ver,
sofreu tanto por amor,
que apenas amor pôde ser.

Fitou as estrelas,
sem saber como ainda mais brilhar,

todo o amor interno e externo não lhe chegava,

a Moira ardente,
que esperava o seu igual ardor,
espera eternamente queimar,
e ser finalmente queimada,
mesmo sem parar de brilhar.

Diziam ser a Moira,
doente por esperar,
mas a moira amava,
Mesmo sem parar de brilhar...